Taça São Paulo

Qualquer torcedor da Portuguesa, independente de idade, sabe que o ano de 1973 foi um dos mais vitoriosos na história do clube. Todos saberão dizer que a Lusa, sob o comando de Otto Glória, conquistou o Campeonato Paulista daquele ano em uma final contra o Santos de Pelé. No entanto, salvo raras exceções, apenas os mais veteranos lusitanos lembrarão de outro importante caneco que a Rubro-Verde levantou naquele ano: a Taça São Paulo.

Vale lembrar que no começo da década de 1970, o São Paulo passava por uma crise financeira depois de inaugurar o estádio do Morumbi, enquanto o Corinthians amargava um jejum de mais de uma década sem títulos. O futebol paulista era dominado pelo Palmeiras de Ademir da Guia, com sua Academia de Futebol, e o Santos de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pepe e Pelé. Ambos revezavam-se nas conquistas dos Campeonatos Paulistas.

Já a Lusa, no início da gestão de Oswaldo Teixeira Duarte, construía seu clube social e erguia o estádio Independência, no lugar da antiga Ilha da Madeira, hoje Canindé. O lendário presidente rubro-verde ia fazendo da Portuguesa, com apoio e investimento da colônia lusitana, um dos maiores clubes sociais do país (chegando mais a frente a marca de 100 mil associados) e buscava incessantemente colocar a Rubro-Verde, de uma vez por todas, entre os grandes times de São Paulo. Para isso eram necessários títulos.

Porém, se a década de 1970 começou a todo vapor em obras, em campo as coisas andavam em outro ritmo. Em 1972 a Lusa fez um Campeonato Brasileiro muito abaixo da expectativa e, após uma péssima partida da Portuguesa contra o Santa Cruz no Parque Antártica, o presidente Oswaldo Teixeira Duarte resolveu demitir os seis principais jogadores do elenco: Hector Silva, Marinho Perez, Piau, Lorico, Samarone e Ratinho. A famosa “Noite do Galo Bravo”.

O elenco luso foi reformulado sob a batuta do então técnico Cilinho. O Campeonato Paulista de 1973 começou e a Lusa não engrenava. Apesar de estrear com uma vitória sobre o São Bento por um a zero, a Lusa perdeu para o Corinthians no Morumbi na rodada seguinte e a torcida rubro-verde começou a ficar descontente com o treinador. No jogo subsequente, contra a Ferroviária no Canindé, Cilinho contrariou as arquibancadas na escalação do time e viu a Portuguesa abrir dois a zero no primeiro tempo e ceder o empate na etapa final. Resultado: os mais de sete mil torcedores presentes naquela partida fizeram o treinador sair do clube escoltado pela polícia.

Com a indicação do capitão Badeco, o treinador Otto Glória – que levou Portugal à semifinal da Copa do Mundo de 1966 – desembarcou no Canindé. E, com ele, uma mudança total no estilo de jogo da Rubro-Verde. Não houve tempo de recuperação no primeiro turno do Campeonato Paulista, que acabou vencido pelo Santos. Os frutos do trabalho de Otto começaram a aparecer na Taça São Paulo, torneio revivido por Paulo Machado de Carvalho e que aconteceu exatamente nesse período entre os turnos do Campeonato Paulista. A Portuguesa ficou no grupo da capital, ao lado de Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Juventus.

De pé: Pescuma, Badeco, Zecão, Isidoro, Calegari e Cardoso. Agachados: Xaxá, Enéas, Cabinho, Basílio e Wilsinho

Otto mudou a postura tática da equipe, que passou a jogar com duas linhas de quatro. A primeira com o lateral-direito Cardoso, o central Pescuma, o quarto-zagueiro Calegari e o lateral-esquerdo Isidoro. Os laterais quase não apoiavam. Na frente da defesa, ele montou uma linha que tinha Xaxá, Cardoso, Badeco e Basílio postados à frente dos zagueiros de área e Wilsinho na frente de Isidoro pela esquerda. No ataque, Enéas e Cabinho.

A Lusa chegou à final da Taça São Paulo sem sofrer sequer um gol. Foram cinco vitórias e dois empates. Na primeira fase, a Portuguesa venceu o São Paulo (2×0) e o Corinthians (1×0), empatando com Palmeiras (0×0) e Juventus (0×0). Na semifinal, a Lusa venceu a Ferroviária pelo mesmo placar em dois jogos (1×0). Na final, disputada há exatos 40 anos, em um 1° de julho, a Portuguesa derrotou a Academia de Futebol do Palmeiras comandada por Ademir da Guia por três a zero, com dois gols de Wilsinho e um de Enéas. A torcida da Portuguesa foi maioria entre os 30 mil presentes no Pacaembu e, a partir dali, começava a arrancada rumo ao título do Campeonato Paulista daquele ano, onde a Lusa levantou o caneco para cima dos dois principais clubes do país àquela época.

Você, da nova geração, conhecia essa conquista da Lusa? E você, da velha guarda da torcida, lembra-se disso tudo? Dêem sua opinião! Gostaram do post histórico? Participem! Comentem abaixo!

Por Luiz Nascimento

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