Para que nosso amor não vire saudade

Saudade. Disseram no rádio que hoje é dia dela. Justo hoje, esse 30 de janeiro de cabeça inchada. Justo essa palavra, que só nossa gente ousou criar. Justo esse sentimento, que traduz a alma do nosso povo. Justo nós, que nada fizemos para merecer esse fado. Justo aquele que deu início a tudo foi o único que restou: o amor. Afinal, o que, além do amor, faria com que 959 sofredores estivessem no Canindé para assistir o Botafogo de Ribeirão Preto vencer por 2 a 1, de virada, um clube que corre o risco de virar saudade?

Tudo acabou. Nada mais motiva um lusitano a ir ao estádio. Nada além do bater mais forte do coração ao ver o verde e o encarnado em um gramado. Não se pensa mais em vitórias ou em classificações. Nem mesmo a luta – que com o tempo se tornou honrosa – contra o rebaixamento passa pela cabeça. Hoje, o rebaixamento é um fim certo para um meio de sofrimento. Tudo que vier fora da queda será chamado de milagre. No Canindé, a torcida não se sente representada nem por time e nem por diretoria. A Lusa – grande, gloriosa e tradicional – é representada em forma de resistência por seus torcedores.

Conseguiram nos tirar tudo. Não temos dinheiro, não temos patrocínio, não temos direção, não temos time, não temos sequer divisão para jogar nacionalmente, não temos nem aquela que é a última a morrer: a esperança. A única coisa que a Portuguesa ainda tem é sua torcida. E a única coisa que sua torcida ainda tem é amor. Ou melhor, tem saudade também. Quando a Leões cantou uma nova música que cita Djalma Santos, Enéas, Dener e Capitão, deu vontade de chorar. Que saudade dos tempos que vivemos e até dos tempos que muitos de nós não vivemos. O que fizeram com nosso clube?

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Não adianta lamentar. O clube só não está morto porque a torcida ainda não está morta. Se a nova – e que prove que é nova – diretoria opta pela omissão, a torcida arregaça as mangas. Escreve o mais bonito capítulo da história do clube ao fechar a Avenida Paulista em nome da dignidade. Torna-se a resistência ao dar a cara à tapa, ao ir à Justiça, ao conseguir liminares que mantenham seu clube de pé. São esses, que ainda dão à Lusa uma sobrevida, que a podem ressuscitar. Porém, se vamos atirar, acertemos o alvo.

Qualquer torcedor tem o direito de xingar qualquer jogador, treinador ou diretor. Isso é um fato: ninguém é obrigado a deixar de xingar um ou outro porque não agrada a alguém. Porém, é preciso ter prudência até na hora da revolta. A margem de erro da Portuguesa praticamente inexiste. A linha entre a morte e a sobrevida da Lusa é tênue. Por que nosso clube está na zona de rebaixamento do Paulistão? Por ter um time fraco. Por que o time é fraco? Porque não há dinheiro e se montou um time de meninos emprestados das bases dos rivais.

Não há falta de vontade, raça ou disposição. Há falta de qualidade e de maturidade. Sempre defendi cobrar dos jogadores o máximo que eles podem dar. Porém, como cobrar algo que eles não têm condição de apresentar? Como bem ressaltou Guto Ferreira em sua entrevista coletiva, xingar os jogadores é pressioná-los ainda mais. É fazer o cara tropeçar na bola, escorregar em campo e tocar para o nada. Exatamente o que aconteceu quando a torcida passou a xingar o time e os jogadores. Qualidade não se aprende, ou se tem ou não se tem.

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Entendo e partilho completamente da revolta. Também não me conformo com os gols que Wanderson e Henrique perdem. Também não me conformo com a insegurança que Diego Augusto passa. E sei que alguns se pode cobrar, pela experiência, como Glédson. Mas, de que adianta? Com esse time não vamos ficar na primeira divisão, muito menos se pressionarmos. Só ficaremos se contratarmos e aí eu pergunto: quem contrata? A diretoria e seu Departamento de Futebol. Por que, então, não gritamos – como fizemos também – por contratações? Por que, então, não xingamos a diretoria? Cobremos quem tem que ser cobrado: seja Ilídio Lico, seja Fernando Gomes.

É preciso ter cuidado. Os jovens jogadores – que podem não ser qualificados, mas que não têm feito corpo mole – serão ainda piores com uma pressão ainda maior que a natural. Desse jeito, daqui a pouco estaremos xingando a única pessoa que realmente tem qualidade para estar onde está no clube: o técnico Guto Ferreira. Ele faz milagres? Sim, permanecer na Série A no ano passado foi um milagre. Porém, com o que tem em mãos não existe milagre a ser feito. O milagre só pode ocorrer com pelo menos dois ou três jogadores de qualidade. Ao menos um zagueiro que saiba marcar e um atacante que saiba fazer gols. É muito pedir isso?

Todos somos Portuguesa. Todos nos revoltamos com o time que deveria nos representar. Todos estamos de cabeça inchada pela derrota, pela humilhação e pelo rebaixamento que parece inevitável. Todos amamos nosso clube e não queremos que ele acabe. E todos sabemos que sem uma ação da nova diretoria, que tem sim uma dificuldade inestimável para trabalhar, é que vamos cair. E que o foco tem que ser esse: cobrar da diretoria contratações. Não os jogadores e muito menos o técnico. Repito: se vamos atirar, que acertemos o alvo, porque nossa margem de erro praticamente inexiste. Errar é morrer. E nosso caminho não é morrer, é amar. Mas não amar um clube que virou… saudade.

E você, torcedor lusitano? O que acha de nossa situação? Participe! Dê sua opinião! Comente abaixo!

Por Luiz Nascimento

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Sobre Luiz Nascimento

Jornalista da Rádio CBN, formado no Mackenzie e, acima de tudo, um fanático torcedor da Portuguesa. O sangue rubro-verde, vindo da família lusa, fala mais alto neste blog que procurará sempre trazer informações, análises e conteúdos exclusivos para a torcida lusitana!
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2 respostas para Para que nosso amor não vire saudade

  1. José Mauro disse:

    Mais uma vez, assino embaixo. Sem qualquer discordância.
    Vimos ontem no Canindé um dos times mais fracos da história da Portuguesa. E provavelmente o pior time do Campeonato Paulista. O rebaixamento, antes impensável, vai virando rotina. E neste ano parece inevitável.
    Acharia mais digno jogar com nosso (fraco) sub 20. O resultado, rebaixamento, tenderia a ser o mesmo. Mas não teríamos que torcer para jogadores que ficaram todo o ano de 2013 sem jogar, mesmo em times de série B, por absoluta falta de condição técnica.

  2. Marcos disse:

    Estive em Piracicaba no sábado (eu e mais uns 60 loucos) e ao contrário de você não vejo esse time com vontade e raça, Pra mim so o primeiro tempo foi bom. Contra o Ituano foi ridiculo o empenho do time e em Piracicaba com 1 a mais não conseguimos nem empatar com o poderoso XV!!! Nem tive vontade de sair aqui de Barueri em plena 17 horas pra enfrentar o transito pra ver esse monte de m…. Acho que os jogadores são os menos culpados, e isso ja vem de anos que temos jogadores mediocres no time, vide ano passado se nao me engano tinhamos 7 atacantes e so o gilberto prestava!!!! Contra o Audax não sei ainda se vou, talvez por ser aqui do lado de casa va la para conhecer e só!!! Porque infelizmente como vc disse no texto, eu sou um dos que não vejo mais jeito de nos salvar pq não vejo uma jogada ensaiada, um contra ataque direito e o mais importante um FINALIZADOR!!!!Acompanhei alguns jogos do Mogi e esse Henrique nunca fez nada, era horrível!!!!! Será que não temos outro no banco ou na base? Abraço

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