O caminho da dignidade não tem volta

Se “ingenuidade” é uma palavra que não cabe sequer à pura e simples disputa esportiva – dentro dos campos, das quadras, dos ringues e afins – imagine nos bastidores do mais sujo dos esportes: o futebol. “Não duvide de nada, mas duvide de todos”, frase dita pelo jornalista Erich Beting sobre o contrato redigido pela CBF para ser assinado pela Portuguesa, traduz o que deveria ser uma lei para quem trabalha, aprecia e acompanha o futebol. Um esporte que cada vez menos é disputado nos gramados e cada vez mais é reduzido a uma queda de braços entre cartolas.

Quanto mais “bombas” são jogadas no ar, mais nebulosa essa situação envolvendo Portuguesa, STJD e CBF fica. Quando se pensa que, por meio de uma prova, as dúvidas podem ser elucidadas, menos claras elas ficam. Por quê a CBF colocaria no papel uma espécie de “confissão de culpa”? Por quê a Lusa já não levou ao Ministério Público? Seria essa uma jogada da CBF para melar de vez um campeonato que não terá como ser organizado? O clube estaria disposto a aceitar a proposta caso o contrato não vazasse na mídia? Envolvendo a alta cúpula do futebol brasileiro e um clube que não cansa de nos surpreender, nada pode ser descartado. A dificuldade para se colocar a mão no fogo por alguém é enorme. Não se pode confiar cegamente em ninguém.

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No entanto, é inegável que um novo cenário vem se desenhando. A Portuguesa, por meio de seu presidente Ilídio Lico, finalmente posicionou-se. A torcida estava inconformada, cobrando isso da atual gestão do clube. Se o silêncio até então era motivado por esta “carta na manga” que seria levada ao MP na audiência de 22 de janeiro e se agora, com o vazamento, apenas se posicionaram porque foram forçados ninguém sabe. Fato é que há pelo menos 10 anos a torcida lusitana não ouvia um discurso de seu presidente que a representasse e que a satisfizesse: “a Portuguesa pode morrer, mas vai morrer com dignidade”. Ou seja, o cenário que se desenha é de uma Lusa que sai do muro e vai para o front de batalha contra os donos do poder do mundo da bola.

A não ser que tudo isso seja apenas uma peça teatral protagonizada por clube e entidade máxima do futebol brasileiro – o que não acredito, mas não descarto – Ilídio Lico tem de ter em mente que se meteu em um caminho sem volta. O caminho da “dignidade”, como ele muito bem ressaltou, não permite recuo. Até porque, se havia o medo de represálias por parte da CBF, com essa situação, não há mais por que pisar em ovos. Se a Lusa sempre foi a “bucha de canhão” da FPF nacional, agora será seu inimigo público.

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A situação do clube, em todas as frentes, é desesperadora. Manter-se de pé por si só já é complicado. Sobreviver foi, é e será um milagre. Ainda mais em uma guerra contra colarinhos engomados com sangue de quem não tem força política. Quando se fala em um fim do clube, muitos custam a acreditar. No entanto, esse futuro é mais realista do que apocalíptico. E o que resta à Lusa se até suas conquistas no gramado estão sendo levadas? Resta justamente a história, a grandeza, a tradição, a torcida e, principalmente, a palavra usada por Ilídio Lico em entrevista na Federação Paulista de Futebol: a dignidade. Por incrível que pareça, há mais razão do que emoção nisso.

E o caminho da dignidade não tem volta. A briga está comprada. Não há mais o que temer. Não adianta mais pisar em ovos. Para quem tem vergonha na cara e amor pelo clube só há uma saída: defender as cores da Portuguesa e de sua torcida com unhas e dentes, sob qualquer ameaça e qualquer retaliação. As primeiras já vinham e as segundas virão de qualquer modo. Recuar, além de cafajeste, é suicídio. A fala de Ilídio Lico não pode ser encarada apenas como uma frase de efeito. Fanatismos a parte, o clube pode sim morrer. Porém, que não morra pelo amadorismo, pela ganância ou pela inércia de seus dirigentes. Que morra como um mártir abraçando o que sempre caracterizou a Portuguesa: a honra, a dignidade e a resistência. Não há mais volta. Não pode haver.

E você, torcedor lusitano? O que acha disso tudo? Participe! Dê sua opinião! Comente abaixo!

Por Luiz Nascimento

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Sobre Luiz Nascimento

Jornalista da Rádio CBN, formado no Mackenzie e, acima de tudo, um fanático torcedor da Portuguesa. O sangue rubro-verde, vindo da família lusa, fala mais alto neste blog que procurará sempre trazer informações, análises e conteúdos exclusivos para a torcida lusitana!
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6 respostas para O caminho da dignidade não tem volta

  1. alexandre disse:

    PERFEITO , MORRER TODOS MORREM , LEMBRADOS POUCOS SERAO….

  2. José Mauro disse:

    O que eu acho disto tudo? Eu acho exatamente isto. Sem retoques, Luiz.
    É forçoso reconhecer que a situação do Ilídio é complicada, que assumir esse risco real de chegar ao fim, é uma responsabilidade imensa. Mas certamente essa é uma briga que nossa torcida já comprou.
    E não há espaço mais para a mediocridade. “Mais do mesmo” durante as últimas décadas nos trouxe onde estamos – e onde estamos não é um lugar legal. No cenário atual, fazer mais do mesmo certamente nos levará a lugares muito piores ainda do que o que estamos agora.
    Pela dignidade.

    Abraço

  3. ANSELMO RIBEIRO disse:

    Como diria Neil Young: “É melhor queimar do que apagar lentamente!”

  4. Irineu Junior disse:

    Se a Portuguesa deixar de existir, será por culpa de muitos, que “deixaram” chegar a este ponto.
    Foram décadas de subserviência; os controladores do futebol foram minando nossas forças, com a conivência de nossos dirigentes, durante anos a fio.
    Há muito tempo atrás atitudes deveriam ser tomadas e não foram. As pessoas que dirigiram o clube, foram aceitando bovinamente tudo que nos era imposto.
    O que está acontecendo agora, é apenas o tiro de misericórdia. Estava claro durante todo este tempo que não éramos bem-vindos. Só não via quem não queria. Por isso durante anos eu sempre fui a favor da mudança, a partir do nome, para não chegarmos onde chegamos…Nunca quis que a Portuguesa acabasse, por isso pedia mudanças…Mas poucos vislumbraram um desfecho como este…Espero ainda, que possamos ressurgir das cinzas, quem sabe uma última atitude digna, nos traga de volta o respeito, a credibilidade e a esperança de um dia sermos tratados como iguais!!!

  5. Quando se trata de vida ou morte não há outra saída: tem que lutar uma luta sem fim. Enquanto se luta, a vida continua. No caso da Portuguesa, o Ministério Publico terá de ser acionado sempre, pois as entidades do futebol planejam o nosso fim a qualquer custo. A Portuguesa precisa ter alguém bem articulado para levar essas informações aos órgãos superiores da justiça.

  6. Manuel Poio disse:

    Retroceder nunca, render-se jamais !!! Viva a Lusa.

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